Nomad, Wise, Revolut ou Inter Global Account: qual conta internacional usar em 2026

Por Equipe ComparaCartões · Atualizado em 31 de julho de 2026

Conta internacional não é cartão de crédito — é uma conta em dólar (ou multi-moeda) com um cartão de débito vinculado, pensada para quem viaja, compra no exterior ou envia dinheiro pra fora do Brasil. Comparamos as 4 mais usadas por brasileiros: Nomad, Wise, Revolut e Inter Global Account.

O critério aqui não é só "qual cobra menos imposto" — é o custo real (IOF + spread de câmbio + taxas) e um fator que costuma passar batido: se o seu dinheiro tem alguma proteção caso a instituição tenha problema financeiro. Das 4, só uma tem essa proteção confirmada.

Como funciona o IOF nessas contas (não é brecha, é política tributária)

As 4 contas seguem a mesma regra federal, porque IOF é imposto, não uma tarifa que cada empresa define: 3,5% é a alíquota padrão para remessa ou gasto no exterior (Decreto nº 12.499/2025, com validade restabelecida pelo STF em julho de 2025). Quando a remessa é destinada especificamente a investimento — comprar ações, ETFs ou aplicar num fundo em dólar, por exemplo — a alíquota cai para 1,1%. E se você decidir converter esse saldo em moeda estrangeira de volta para reais, a alíquota é outra ainda: 0,38% (Decreto 12.499/2025, art. 15-B, inciso XXV — a alíquota geral para entrada de recursos do exterior).

Essa diferença de 3,5% para 1,1% é uma escolha deliberada de política tributária — o governo cobra menos imposto sobre dinheiro destinado a investir do que sobre dinheiro destinado a gastar, não é uma falha que as empresas exploram. Nomad e Wise oferecem produtos de investimento de verdade (ações, ETFs e REITs na Nomad; um fundo de baixo risco chamado Rende+ na Wise), regulados, com risco de mercado real — não são "contas fake" criadas só para pagar menos IOF. Se você não pretende investir, a remessa cai automaticamente na alíquota de 3,5%, e não há nada de errado nisso.

Nomad: a única com proteção de depósito confirmada

A Nomad opera via parceria com o Community Federal Savings Bank (CFSB), nos EUA — e isso importa porque o saldo em dólar fica protegido pelo FDIC (o equivalente americano do FGC), até US$250.000 por titular. Das 4 contas deste guia, é a única com essa proteção confirmada de forma clara nas fontes oficiais.

O spread de câmbio começa em 1% e cai conforme o volume de dólares enviados (sistema de níveis chamado Nomad Pass). Saques em caixas eletrônicos são grátis na rede MoneyPass; fora dela, os 2 primeiros saques do mês são grátis, depois US$5 cada. A Nomad também é a única das 4 com uma plataforma de investimento própria — ações, ETFs, REITs e títulos do governo americano, direto pelo app.

Wise: câmbio transparente, mas sem seguro de depósito

A Wise não é um banco — é uma instituição de pagamento (EMI). Isso muda a proteção do seu dinheiro: em vez de seguro de depósito, ela usa um mecanismo chamado "safeguarding", que obriga a manter 100% do saldo dos clientes em ativos líquidos, separados do caixa da própria empresa. Não é a mesma coisa que o FDIC — só quem ativa o recurso de rendimento (o Rende+) tem acesso a uma cobertura FDIC repassada por um banco parceiro, e mesmo assim não é automática para todo o saldo parado na conta.

Em compensação, a Wise não embute spread escondido na cotação — usa a taxa de câmbio de mercado e cobra a taxa à parte, algo entre 0,41% e 1,5% do valor mais uma tarifa fixa pequena, variando por moeda. O Rende+ rendeu cerca de 10,39% ao ano em reais e, nas moedas estrangeiras, algo entre 1,7% e 3,5% ao ano líquido (referência janeiro de 2026) — mas é investimento de verdade, com risco, não uma taxa garantida. A partir de maio de 2026, o saque grátis por mês caiu de 2 para 1, e a taxa fixa acima disso subiu de R$6,50 para R$20.

Revolut: IOF zero em 2026, mas sem proteção do FGC

A Revolut zerou o IOF em todos os planos em 2026 — uma vantagem real sobre as outras 3, dentro de um limite mensal que varia de R$1.000 (plano gratuito) a R$20.000 (plano Ultra). O câmbio dentro do app também tem spread zero, usando a taxa interbancária.

O ponto de atenção é a proteção do depósito: a Revolut no Brasil é regulada pelo Banco Central (licença de Sociedade de Crédito Direto), mas isso não é o mesmo que ter garantia do FGC — se a instituição tiver um problema financeiro sério, não há reembolso automático garantido como existe nos bancos tradicionais brasileiros. Pra saque em caixa eletrônico no exterior, o plano gratuito permite até R$1.600 ou 5 saques por mês (o que vier primeiro) sem custo; acima disso, cobra 2% do valor ou R$6, o que for maior.

Inter Global Account: prática para quem já é cliente Inter, sem FDIC

A Global Account é operada pela filial do Banco Inter nas Ilhas Cayman — um detalhe que só aparece na letra miúda, mas muda a proteção do seu dinheiro: a página oficial de compliance do Inter não menciona seguro FDIC para esse produto. Isso é diferente do "Inter US Checking" (esse sim, com FDIC até US$250.000 via Continental Bank) — mas o Inter US Checking é outro produto, não é a conta internacional que a maioria dos clientes Inter realmente abre.

O spread de câmbio é regressivo (aproximadamente 1% a 2%, podendo chegar a 0,99% conforme o relacionamento com o banco) e o IOF segue a mesma regra federal das outras contas (3,5% padrão, 1,1% para investimento). Um ponto sem resposta clara: o Inter não divulga publicamente uma tarifa própria de saque em caixa eletrônico no exterior — só avisa que o operador do caixa pode cobrar uma tarifa dele mesmo, sem informar o valor.

Então qual escolher?

Não existe uma resposta única — depende do que pesa mais pra você. Se proteção do depósito é prioridade, a Nomad é a única com FDIC confirmado. Se o objetivo é gastar no exterior sem pagar IOF, a Revolut leva vantagem em 2026 (dentro do limite mensal do plano). Se você quer transparência total nas taxas de câmbio e não se importa em abrir mão de seguro de depósito, a Wise é a mais conhecida por isso. E se você já é cliente Inter e quer simplicidade de ter tudo no mesmo app, a Global Account resolve — mas entre sabendo que não tem FDIC.

Nenhuma delas substitui o seguro viagem de um cartão de crédito internacional (veja nosso guia sobre isso) nem é garantida como uma conta em um banco brasileiro tradicional. São ferramentas complementares, não uma alternativa 1-para-1.

❓ Perguntas frequentes

Pagar menos IOF numa conta de investimento é uma brecha fiscal?

Não. É uma alíquota diferente definida pelo próprio governo (1,1% para remessa destinada a investimento, contra 3,5% da remessa padrão) — uma escolha de política tributária para incentivar investimento, não uma falha que as empresas exploram. Os produtos de investimento da Nomad e da Wise são reais, regulados e têm risco de mercado genuíno.

Se eu só guardar dólar parado, sem gastar, pago IOF?

O IOF é cobrado no momento da remessa/conversão de reais para moeda estrangeira, não sobre o saldo parado. A alíquota que incide depende da finalidade declarada da remessa: 3,5% padrão, 1,1% se for para investimento.

Essas contas têm a mesma proteção que o FGC dos bancos brasileiros?

Não, na maioria dos casos. Das 4 contas deste guia, só a Nomad tem proteção de depósito confirmada (FDIC americano, até US$250.000, via seu banco parceiro). Wise, Revolut e Inter Global Account não têm essa proteção confirmada para o saldo principal — é um risco real a considerar, não só uma questão de taxas.

Qual tem o menor IOF em 2026?

A Revolut, que zerou o IOF em todos os planos em 2026 (dentro de um limite mensal que varia por plano). As outras 3 seguem a alíquota federal padrão de 3,5% (ou 1,1% para remessa de investimento).

Posso ter mais de uma dessas contas ao mesmo tempo?

Sim, não há exclusividade entre elas. É comum usar combinações — por exemplo, Nomad para guardar reserva com proteção FDIC e Revolut para gastos do dia a dia com IOF zero dentro do limite mensal.